labrys, études féministes/ estudos feministas
juillet/décembre 2011 -janvier /juin 2012  - julho /dezembro 2011 -janeiro /junho 2012

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labrys 20/21

Labrys, estudos feministas/ études féministes é uma revista multidisciplinar, internacional, multilingue, gratuita, on line desde 2002. Nosso objetivo é ainda e sempre o mesmo: abrir o debate, divulgar o conhecimento produzido pelas mulheres, mostrar as condições que o mundo patriarcal - cada vez mais ativo - reserva às mulheres, e auxiliar na transformação destas realidades, graças ao dinamismo dos feminismos.


Este número, o 20 /21 é duplo, tendo em vista a grande quantidade de artigos publicados, o que atesta o desejo de participar do aniversário de dez anos da revista.

Em dez anos o mundo não mudou muito: a violência contra as mulheres é epidêmica. A apropriação de seus corpos  leva a um crescimento demográfico galopante. A restrição das liberdades e os limites sociais que o patriarcado impõe às mulheres fazem delas cidadãs de segunda classe, ou como em certos países de confissão muçulmana, seres excluídos da cidadania. As guerras fazem das mulheres as vítimas prinicipais da violência masculina, principalmente a violência sexual. Os direitos adquiridos são violados e as forças patriarcais não cessam de tentar reduzí-los ou anulá-los, movimento sobretudo oriundo de correntes religiosas.

 O que concluir? Desesperar?

O fato é que se alguns direitos, que hoje pertencem às mulheres, foram obtidos pela persistência e o vigor dos feminismos e dos movimentos das mulheres, é necessário não somente resistir para conservá-los, mas igualmente lutar para obter novas aberturas e realizar outras conquistas sociais.

Não é apenas de igualdade que se fala aqui, mas de uma mudança bem mais profunda, que atinja as representações sociais e as definições do humano. Com efeito, o aparelho genital não é mais um signo de poder ou de autoridade, disto estamos convencidas. Assim, se a biologia não determina os papéis sociais, o que é uma mulher? É a questão que coloco para o próximo decênio. Como iremos criar um novo ser que não dependa de seu sexo para existir, nem da procriação para assegurar seu lugar no mundo? Como vamos nos desfazer desta imagem de fragilidade e de impotência, de desrazão, de um corpo que não age senão conduzido por seus hormônios? Como quebrar as cadeias relacional que aprofunda a distância quando define-se o humano de forma binária e hierárquica? Eis o desafio. Que é ainda o mesmo, mas com certas nuances.

Quem disse que os feminismos acabaram, que tudo já foi conquistado? Quem é o interessado que as mulheres cessem de reivindicar, cessem de reclamar direitos, direito a seus corpos, à seus ventres, à suas vaginas, à seu tempo, à sua liberdade?

Pois é preciso nomear: não é uma sociedade abstrata, fluida, que decide o destino das mulheres e a partilha dos papéis e tarefas. São os homens, com sua cumplicidade e compadrio que lhes assegura o poder sobre a outra metade da humanidade, que garantem a condescendência reinante sobre a violência múltiplas que se exercem sobre as mulheres.

Eu diria que há quase um pudor em se nomear aqueles pelos quais violência se exerce. São os homens que criam o mercado da prostitução e o naturalizam enquanto trabalho. Apoiados por certos feminismos. São eles que instauram o terror doméstico, e assombram as ruas com os fantasmas do estupro. São eles que fazem deste, arma de guerra, teatro de violências inomináveis..

Enquanto as representações sociais do feminino X masculino não serão eliminadas, haverá sempre pólos definidos como força e fraqueza. Não se trata de mudar o que existe, mas sim de criar novas figurações do humano.

Se a história reitera seu incessante " sempre foi assim", o dossiê "mulheres de aventura" nos mostra configurações sociais outras que não supõem o esmagamento total do feminino. Revela-nos, de fato, mulheres aceitas e honradas em meio os mais diversos e que são aplaudidas ao ousar seguir seus caminhos, seus desejos;

Outras, apagadas pelo silêncio patriarcal quebram todos os moldes e se apresentam como exploradoras, cientistas, piratas, aventureiras. A história do possível é a história que mostra a diversidade das formações sociais, enquanto se pretende impor a idéia que elas foram " sempre" binárias e polarizadas.

Para o número do aniversário de dez anos de Labrys, as feministas se mobilizaram para apresentar seus trabalhos, suas pesquisas, suas escolhas de ação e de trabalho. Brasileiras, francófonas, latino americanas, todas celebram o 20. número de Labrys, a sua revista. Teresa de Lauretis se une a nós para apoiar os dez anos de trabalho árduo, cujos resultados, porém,tem sido gratificantes.

Na verdade, os feminismos continuam a vogar com todas as velas enfunadas, sem medo e sem fadiga.

Como nós.

 

Boa navegação !

 

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