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MIRIAM LIFCHITZ MOREIRA LEITE Procurei a historiadora e professora Miriam Lifchitz Moreira Leite, logo após ter acesso ao seu livro Outra face do feminismo: Maria Lacerda de Moura, publicado naquele mesmo ano de 1984. Em meio a uma envolvente e infindável pesquisa sobre a história do anarquismo no Brasil, havia me deparado com os textos rebeldes daquela militante mineira, nascida em 1887 e falecida em 1945, da qual não se ouvira falar até a década de 1980, ao menos fora de alguns círculos libertários. O imenso trabalho de pesquisa documental que Miriam fizera abria, então, para todos nós, vias fundamentais de acesso ao universo profundamente atraente da atuação feminina nas lutas anarquistas e feministas do nosso passado. Miriam e eu nos encontramos numa manhã no amplo prédio da História da Universidade de São Paulo, onde ela trabalhava nessa ocasião. Logo me contemplou com muitas informações sobre a escritora anarcofeminista, cujos fascinantes livros eu também acabara de descobrir no Arquivo Edgard Leuenroth da UNICAMP. Não ficou claro o motivo pessoal que a levara a biografar aquela feminista radical dos anos vinte e trinta, autora de A mulher é uma degenerada?, Amai e não vos multipliqueis; Han Ryner e o Amor Plural, entre tantas outras obras. Pouco importa. Na verdade, muitos anos depois, em 2005, Miriam ainda se dedicava a publicar alguns dos textos da militante mineira, em uma bela antologia intitulada Maria Lacerda de Moura, uma feminista utópica (Editora Mulheres). A historiadora Miriam já se tornara conhecida por seus estudos realizados entre 1978 e 1984, sobre mais de cento e cinquenta viajantes estrangeiros, entre mulheres e homens, que aqui aportaram em missões expedicionárias, ao longo do século XIX. Descobrindo incríveis mulheres artistas, jornalistas e naturalistas entre eles, como Tereza da Baviera e Ida Pfeiffer, envolveu-se também com a vida da Baronesa de Langsdorff, cujo diário foi publicado com introdução de sua autoria. Na verdade, como afirma em entrevista, seu interesse pelos viajantes se centrava muito mais nas representações que haviam construído sobre o país e, em especial, sobre as mulheres brasileiras. Dentre os seus livros mais conhecidos, destacam-se, além dos já citados, A mulher no Rio de Janeiro no século XIX , realizado em colaboração com Maria Lúcia Mott e B. K. Appenzeller, de 1982; A condição Feminina no Rio de Janeiro - século XIX, de 1984; Retratos da Família. Leitura da Fotografia Histórica, de 1993; Livros de Viagem (1803-1900), de 1997; Desafios da Imagem. Fotografia, iconografia e vídeo nas Ciências Sociais, realizado com Bela Feldman-Bianco, em 1998. Miriam foi também pesquisadora do Laboratório de Imagens e Som em Antropologia Visual da USP, dedicando-se a temas referentes à imagem e à memória. Faleceu em 17 de fevereiro de 2013, com mais de oitenta anos de idade, deixando-nos uma vasta e importante obra dedicada à luta pela autonomia das mulheres no Brasil. Margareth Rago **** Veja-se, ainda, a entrevista de Miriam L. M. Leite em: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&tipo=entrevista&edicao=14
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