labrys,estudos feministas

número 3, janeiro/ julho 2003

Editorial

No início, o objetivo maior desta revista eletrônica foi de contornar as decisões mercantis ou ideológicas que comandam, na maioria dos casos, a publicação de textos e de tornar possível uma comunicação mais rápida e ativa entre os feminismos no mundo. Graças a sua leitura e colaboração, podemos agora atingi-lo.

Entretanto, fomentar o debate com a velocidade das transformações das teorias e pesquisas feministas não é uma tarefa fácil. Os conceitos e estratégias se chocam mas não se excluem na medida em que os feminismos não reivindicam nenhum caminho único de “verdade” . A finalidade é comum: mudar a face do mundo, modificar as relações sociais, mostrar que a “ natureza” humana é uma categoria que rege o exercício do poder sobre os seres marcados pelo feminino.

Quer seja para dissolver as identidades ou marca-las do selo de uma certa especificidade, as teorias e pesquisas feministas agem efetivamente sobre o social e o científico, injetando-lhe doses maciças de um imaginário livre da poeira e do mofo das “ evidências” sobre o humano.

Resta-nos ainda um imenso trabalho, é preciso confiar em nossas substitutas, não somente no que diz respeito à materialidade da violência no quotidiano, de um simbólico eivado de armadilhas a serem desveladas e denunciadas, mas igualmente em nível dos discursos científicos e acadêmicos, que  negam os feminismos no silêncio a seu respeito.

Lancetar os abscessos, lutar em permanência consigo mesma – nas auto-representações – é a tarefa  que nós, feministas, nos propomos. “ Inventar-se em cores”, diz um dos textos aqui divulgados. Nada de crítica metafórica ou transcendente, mas uma perspectiva teórica do social, fundado na experiência do “ corpo vivido”, que neste número é discutida. Os “ feminismos no mundo” nos informam sobre sua multiplicidade. O dossiê “ imagens” mostra a estocada feminista no domínio das representações e do imaginário. “ Leituras” nos faz viver o falso dilema da dicotomia realidade/ ficção, que , de fato, são uma só realidade. “ Com toda liberdade” é aqui o espaço de uma expressão sem margens definidas.

E finalmente vocês, leitoras, vocês refazem Labrys interpretando-a, vocês a ela trazem aquilo que faz parte de sua experiência e de seu repertório de feministas mergulhadas em um mundo que nos enquadra todas, sem descanso . Existimos, de fato, graças a vocês.

 

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número 3, janeiro/ julho 2003